—7 maggio 2018

da Nathalia Nakano Telles e Ygor Hitoshi Pereira Makiyama

Riportiamo il contributo di due specializzandi del corso multidisciplinare di Salute Mentale Comunitaria presso la Escola de Enfermagem da Univerisidade de São Paulo (EEUSP), a seguito del tirocinio svolto  nel mese di ottobre 2017 nei servizi di salute mentale di Trieste. L’esperienza si inquadra tra le finalità della Convenzione tra la Escola de Enfermagem da Univerisidade de São Paulo (EEUSP) e ConF.Basaglia siglata nel 2012 e rinnovata nel 2017, e la Clinica psichiatrica dell’Università degli Studi di Trieste.

A Residência Multiprofissional em Saúde Mental da Escola de Enfermagem da Univerisidade de São Paulo (EEUSP), assim como os demais programas de Residência Multiprofissional no Brasil, permite que o residente possa sair dos campos de prática estabelecidos pelo projeto político-pedagógico do Programa de Residência por um ou dois meses e que se cumpra este período de tempo em outro campo dentro da área específica, mas que não seja contemplado pelo próprio Programa. Considerando este período de experiência extra-Residência e em conversa constante com as coordenadoras de nossa Residência, foi realizado um Acordo de Cooperação entre a EEUSP,  Conferenza Permanente per la Salute Mentale nel Mondo (CoPerSaMM) e Università degli Studi di Trieste para que nós pudéssemos passar o período de um mês acompanhando o funcionamento da Rede de Saúde Mental da cidade de Trieste.

A experiência foi marcada por intenso envolvimento nas atividades práticas e teóricas que os trabalhadores da rede têm e que nos possibilitaram participar e estar junto. Tivemos como local de referência desta experiência o Centro di Salute Mentale (CSM) Via Gambini, no qual pudemos acompanhar as reuniões de equipe, com discussões de caso e processos de trabalho. A cada semana, acompanhamos uma categoria profissional nas suas atividades de trabalho, o que nos proporcionou maior entendimento da prática realizada por cada um deles. Participamos de grupos no próprio CSM, assim como atendimentos conjuntos nos mais diversos serviços da rede de saúde de Trieste. Fizemos visitas domiciliares, atendimentos de acompanhamento dos usuários, participamos de reuniões de educação continuada e discussões entre os profissionais da rede. Foi possível conhecermos diversos pontos de atenção dentro da rede de cuidado aos usuários de saúde mental, como a Recovery House, Servizio Psichiatrico di Diagnosi e Cura, as moradias assistidas, empreendimentos de economia solidária e até mesmo os serviços de saúde mental na cidade de Gorizia. Tivemos a oportunidade de também participarmos de seminários temáticos junto aos demais voluntários e estagiários de diversas nacionalidades, que também foram a Trieste a fim de conhecer esta rede de saúde mental. 

Durante este período de um mês que passamos vivendo em Trieste e em sua rede de saúde mental, tivemos contato com muitas estratégias que aqui no Brasil ainda não conseguimos colocar em prática, como a Borsa di Lavoro e a Residenze per l’esecuzione delle misure di sicurezza e isso nos trouxe muitas reflexões de como estas estratégias poderiam ser colocadas em práticas dentro do nosso país, que conta com contexto e cultura tão diferentes. O convívio com os usuários dentro do CSM foi uma experiência muito rica, ao passo que nos sentimos acolhidos ao ver que apesar da barreira inicial da língua, eles sempre se mostraram dispostos a estarem conosco para compartilhar suas histórias de vida, experiências e seu tempo. 

Um ponto que foi de extrema importância no período de estágio em Trieste foi a possibilidade de encontros semanais com a presidente da CoPerSaMM, Drª. Giovanna Del Giudice, nos quais discutíamos sobre o cotidiano de trabalho e de nossas atividades e fazíamos relações entre a teoria e a prática, além de sempre pensar em como o que aprendemos lá poderia ser trazido  e aplicado ao Brasil. 

A experiência foi muito rica e significativa para nossas vidas pessoais e profissionais, pois permitiu que fizéssemos uma relação teórico-prática entre as vivências e aprendizados que tivemos na Itália e no Brasil. Nos chamou a atenção as constantes discussões sempre muito baseadas e se remetendo à teoria e o inquestionável e sempre presente respeito aos direitos dos usuários. Pudemos ver que a Reforma Psiquiátrica Brasileira se aproxima da Italiana em muitos aspectos e compreendemos que os contextos político, social e cultural brasileiros têm grande influência para que ainda não tenhamos alcançado alguns pontos que a experiência triestina nos mostrou na prática. Foi importante vermos que com investimento em pessoas capacitadas e nos serviços, o que acreditamos deixa de ser sonho e vira realidade palpável; realidade que cuida, realidade que acompanha, realidade que traz sentido para a vida das pessoas.

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